
Katiany Pinho
Entre as ações do tempo na vida da gente, a alma enferrujada é a mais bizarra. Porque a ordem natural das coisas é: down pro corpo, up pra mente/intelecto/personalidade. Ou seja: todo o recheio vai evoluindo enquanto a cobertura dá aquela decaída básica. O.k.
Agora, o inverso é deprê pra caramba. Engraçado é que a gente encolhe a barriga, mas não tem vergonha de expor uma mentalidade completamente fora de forma. Um desfile de corpos sarados e mentes sedentárias.
Se o conjunto da obra determinasse padrão de beleza, ninguém – ninguém, mesmo – teria coragem de posar nu. Eu trocaria fácil um abdômen tanquinho por determinação pra deixar de empurrar certas coisas com a barriga. Porque, pra melhorar o corpitcho, basta malhar, mas condicionar a mente é bem mais suado, colega. Dá um trabalho danado mexer em coisas que incomodam. E, afinal, a gente vive tão bem disfarçando. É como usar uma bata descoladérrima. Você fica linda com ela, mas, cá entre nós: por baixo dos panos sabe que não é aquilo tudo.
Como é que ninguém pensou ainda em abrir uma “academia” pra baixar o percentual de gordura, digo, tranqueiras internas? Terapia não. Terapia é muito fácil. Fica tudo ali entre você e o “personal trainer”. Teria que ser um lugar em que as nossas fragilidades e imperfeições ficassem à mostra, como uma pança pulando pra fora do jeans.
Por lá desfilariam tipos como aquele tio executivo, que há meses exercita a humildade, mas depois do treino lambe o cabelo e sai se achando o fodão de sempre. Típico caso do gordinho que passa a vida tentando emagrecer. Faria a matrícula também aquela modelo com o cérebro praticamente lipoaspirado. A galera preconceituosa, a turma do “vou levando assim mesmo”. Eu e você também, baby. Pode preparar a 3x4 pra carteirinha.
Aprender a dizer não: três séries de 15 na frente do espelho. Não! Respira. Não! Respira. Não! Respira. Parar de carregar o mundo nas costas: levante uma barra sem anilhas. Leve? A vida também pode ser.
Os exercícios aeróbicos são indispensáveis. Pendure na frente da esteira a foto daquele ser que habita os seus sonhos. É excelente pra mostrar que, quando se procura a felicidade correndo atrás de alguém, a gente anda, anda e não vai a lugar nenhum.
Mas o carro chefe da “academia” seria o exercício mais simples de todos. A Body Systems criaria uma versão coreografada e ganharia muita grana com ele. Trata-se de um método revolucionário pra ver que o mundo não gira em torno do umbigo da gente. Levante a camisa e observe: não gi-ra. É isso. Prático, sem ajuda de aparelhos, e queima o ego pra caramba. Comece com três séries de 1.500 pela manhã, antes de ir trabalhar.
Ufa! Será que malhando direitinho dá pra ficar com o interior sarado pra próxima encarnação? E não dá pra relaxar. A vida é como aquele instrutor carrasco da academia, que aumenta a carga assim que a gente acostuma com ela.






